post Category: Notícias post Comments (7) postMay 3, 2009

Metrô chegando na estaçãoUma das coisas que funciona como um relógio aqui – bem melhor que em Londres, diga-se de passagem – é o sistema de transporte público. Por todo esse tempo que moro aqui em Berlim, pouquíssimas vezes eu realmente senti falta de um carro pois o transporte público chega a praticamente todos os lugares que eu queira ir. Tudo aqui é interconectado. Você compra um bilhete na estação de trem e este serve para metrô, ônibus e bonde. Aqui também tem algo muito pitoresco que nunca vi em nenhuma outra cidade; não existe catraca em lugar algum. Você entra no trem sem passar por nenhuma roleta ou fiscal, algo incrível que só funciona com um povo civilizado. Mas não ache você que só por isso todo mundo é certinho não. O que fazem aqui é interessante. Você não passa por roletas mas volta e meia tem fiscais dentro dos trens à paisana e se te pegarem sem o ticket, você morre em 40 euros e aqui não tem “mas eu não sabia!” , “eu sou turista” ou qualquer outra desculpa; tem que pagar na hora. Por isso vou passar para vocês umas dicas que aprendi aqui e que juro fazem TODA a diferença. Você aqui em Berlim não paga por entrada e saída de estação. Você paga por viagem. Existem vários tipos de tickets para serem comprados. Estes são:

– A cidade é dividida em 3 zonas; A, B e C. Raramente você precisará de um bilhete que abranja as 3 regiões. A única coisa para turista que fica na região C é o aeroporto Schõnefeld e caso você queira visitar a cidade de Potsdam. O resto todo fica nas regiões A e B.

– Um bilhete para a Zona AB pode ser Einzelfahrschein (Bilhete Simples) e Tageskarte (Bilhete para o dia todo) . A diferença é simples: O bilhete simples é para uma viagem apenas em uma direção com duração de 120 minutos. Atenção para o detalhe da direção e duração; se você, por exemplo está indo do Oeste para o Leste, você pode pegar quantos trens/ônibus/bondes quiser, desde que seja sempre nesta direção e que no máximo para isso leve 120 minutos. Você pode parar no meio do caminho, fazer uma boquinha, ir no super e voltar para a sua viagem sem problemas, desde que mantenha a direção original. Se você voltar uma estação sequer e for pego, multa de 40 euros. O preço deste ticket são 2.10 euros. O Tageskarte é o que recomendo de você vai fazer mais que duas “ida-e-voltas” no dia. Ele vale do momento que você valida (vou explicar em breve isso) até às 3 da manhã do dia seguinte. Atenção à isso também. Tive uma amiga que comprou um bilhete às 14:00 e teve que pagar uma multa pois estava usando o bilhete no dia seguinte as 11:00 AM. O bilhete não é de 24 horas! O valor dele é de €6.10

– Ainda existem mais dois tipos de bilhetes relevantes mas menos utilizados: Fahrschein für Kurzstrecken Anschlussfahrschein. O primeiro vale para viagens curtas, no máximo 3 estações de trem ou de metrô ou então não mais que 6 paradas de ônibus e custa €1.30.  Anschlussfahrschein é uma extensão do bilhete para uma terceira zona, por exemplo no dia que você quiser ir à Potsdam mas já tem um bilhete comprado, em vez de comprar um novo bilhete, você compra essa extensão de €1.40.

– Logicamente se você for ficar uma semana ou mais, existem tickets de 1 semana, 1 mês e até 1 ano e todos com desconto, não como no metrô do Rio que o bilhete de 10 viagens é igual ao bilhete unitário vezes 10. Eu compro, por exemplo, o mensal (€72) pois uso os trens, pelo menos 2 vezes por dia para ir e voltar do meu curso.

– Existem descontos para estudantes universitários. Até dezembro do ano passado, havia descontos para alguns cursos de idiomas mas não mais.

–  Se você decidir alugar uma bike e quiser levá-la no trem, sem problemas, mas ela paga. Ué? Surpreso? Ela ocupa espaço, oras! Por isso tem que pagar um bilhete para ela também e não é barato não! Uma viagem com o “camelo” fica €1.50 mais caro.

– Você compra os seus bilhetes nas máquinas que normalmente ficam na plataforma. Quando for do metrô (BVG), são máquinas amerelinhas. Nas plataformas de trem (S-Bahn) são máquinas vermelhas e prateadas. Todas elas oferecem o menu em inglês e espanhol. É só clicar nas bandeirinhas no rodapé da tela. Elas aceitam moedas e notas mas não cartão de crédito. Nas principais estações você também pode comprar em guichês seus bilhetes.

– No ônibus você tem que apresentar o seu ticket ao motorista. Se você não o têm, você compra com ele. No bonde existem máquinas dentro para se comprar o bilhete e não se precisa validar se comprar no bonde.

Máquina para validar o seu ticket

Máquina para validar o seu ticket

– Agora o mais importante de tudo. Comprar apenas o seu bilhete não basta. Você tem que VALIDAR. Vou repetir, VALIDAR.Várias e várias vezes eu vi turistas terem que pagar a maldita multa por não terem validado os bilhetes. Até compram, mas não carimbam o dito e aí já era. Em todas as plataformas tem umas máquinas onde se insere o bilhete para esse ser carimbado com a hora e estação que você embarcou. Tem até uma certa lógica já que tem bilhetes que limitam horário e direção. Como essa é uma modalidade que não existe em outros países, levei um tempo para me acostumar.

Ufa! Acho que cobri tudo que sei sobre este tema. Não deixem de planejar seus percursos no site da BVG. Lá você nem precisa saber qual estação tem que ir. Basta apenas dizer o endereço de onde você está e para onde você quer ir. O site indicará o melhor meio de transporte para o horário que você quer sair ou chegar.

Se você for modernex, tem um app legal para o iPhone chamada Berlin Trip Planner que faz o mesmo que o site da BVG faz (inclusive é autorizada pela mesma para fazer isso). Link para a iTunes Store.

post Category: Notícias post Comments (4) postApril 16, 2009

Um dos grandes problemas que tive aqui na Alemanha sem sombra de dúvida foi o meu relacionamento com a vizinhança. Nunca tive problemas em lugar algum e olha que moro fora de casa desde aproximadamente os 20 e poucos anos mas neste último apartamento, algo incrível está acontecendo. A história é longa mas vale a pena ser lida pois tem partes que parecem piada.

Me mudei para cá em janeiro neste ano. Um belo apartamento de dois quartos que adoro desde a primeira vez que vi a foto online. Na primeira noite, dia 11 de janeiro, coloquei as malas no chão e a primeira coisa que fui fazer foi ligar a TV pois não assistia fazia muito tempo. 5 minutos depois da TV ligada, escuto murros e a minha parede treme. Isto era uma 6a feira 11 da noite. Fiquei supreso primeiro pela parede tremer de tal maneira (parecia um terremoto) e depois pelo fato de presumir que tenha sido pro causa do volume da TV. Vale dizer que não é um home theater e sim uma TV velha de 14 polegadas. O volume estava no 6 de 20. De qualquer maneira, baixei o volume e fiquei na minha.

Duas semanas depois, em um domingo, por volta de 13:00, fui fazer uma ligação Skype do meu laptop da sala, pois ali fica o meu router. 10 minutos falando, novamente a minha parede é esmurrada. Fico fulo da vida mas ignoro. 10 minutos depois, toca a minha campanhia. Já sei que é o vizinho então desligo a ligação e vou abrir a porta. Qual não foi a minha surpresa em ver que era um jovem de 20 e poucos anos? Bem, como um bom alemão, o cara era quase duas vezes o meu tamanho. Estava com uma cara de sono como se tivesse acordado agora mas bravo, bem bravo. Coloquei a minha cara de bravo e assim foi o diálogo (imagine sempre em um tom grosseiro):

Vizinho – Guten Morgen
Eu: Good Afternoon
Vizinho: (agora falando em inglês): Você sabe que horas são?
Eu: Sei sim, são 13:20, por que?
Vizinho: Você está falando muito alto
Eu: Estou apenas falando no Skype, não estou fazendo nada demais e são 13:20 da tarde, acredito que posso falar.
Vizinho: A minha cama fica colada na parede, venha ver. (e aponta para o apartamento dele).
Eu: Azar o seu, a culpa não é minha. Estou falando normalmente na minha sala.
Vizinho:  Por que você não fala no outro quarto?
Eu: Porque o meu roteador fica neste e o sinal fica muito fraco no outro quarto e de qualquer maneira, o  meu aluguel é para 2 quartos, não para 1 apenas.
Vizinho: Mantenha baixo
Eu: tchau

Isso me fez o sangue subir a cabeça. Oras, estava apenas falando no meu Skype. Não estava dando uma festa nem escutando música. Ainda fiquei mais preocupado pois na 3a seguinte já tinha agendado uma reunião de despedida para dois colegas americanos que estavam voltando para casa. Por educação deixei uma carta na caixa postal dele informando que  teria uma reunião na 3a a partir das 19:00 com 7 pessoas, para ele estar preparado. Não deu outra, às 11 da noite, ele veio pedir para fazer menos barulho. Quem abriu a porta foi uma amiga que fala alemão melhor e para evitar que eu chegasse à vias de fato.

Depois deste caso, comecei a ficar com antenas ligadas. Eu reparei que ele escutava Heavy Metal às 1:00 AM, fazia sexo 3 vezes por semana por volta das 11:40PM e por aí vai. Nunca reclamei até porque nunca me incomodou já que fico no outro quarto, na frente do meu computador. Eu sigo a simples lógica que a parede ser fina não é culpa dele nem minha.

Bem, o pior é agora. Dia 20 de março minha mãe veio aqui para me visitar e ficar um tempo em Berlim. Já prevendo possíveis problemas, ofereci o meu quarto e me preparei para dormir na sala. Minha mãe chegou por volta das 9 e pouca e fui mostrando o apartamento , quando cheguei na sala, não sei por que, demos uma risada. Logo em seguida, pudemos escutar uma risada imitando a nossa vindo do outro lado. Minha mãe perguntou o que era isso e comecei a contar os problemas anteriores. Contei em inglês pois sabia que ele iria escutar mas contei no meu tom de voz normal. 10 minutos depois, murro na parede. Desta vez não me contive e esmurrei a parede também. Não deu outra, ele bateu na minha porta. Nossa, fico nervoso só de relembrar o fato. Eu abro a porta já vermelho e o cara veio gritando, literalmente gritando:

Vizinho: VOCÊ ESTÁ FALANDO DE MIM!
Eu: E DAÍ? NA MINHA CASA EU FALO DE QUEM QUISER!
Vizinho: VC ESTÁ FAZENDO MUITO BARULHO!
Eu: AHH NÃO FERRA! QUANDO VC ESTÁ ESCUTANDO A DROGA DA SUA MÚSICA HEAVY METAL E F(*) SUA NAMORADA, NUNCA RECLAMEI, NÃO ME VENHA COM ESSA.
ele começou a ficar nervoso e falou em alemão “Nem alemão vc consegue falar” e eu repondi em alemão :”falo sim” e ameacei chamar a polícia, isso já com a minha mãe e o marido dela me segurando pois já estava preparado para no mínimo arrebentar a mão dele com a minha cara mas bati a porta.
Cinco minutos de escuto uma batidinha de leve na porta e a minha mãe vai abrir para evitar que eu pule no pescoço do cara. Era a namorada do mesmo pedindo desculpas por tudo e principalmente pelo barulho que faz. Não chamei a polícia mas escrevi para a proprietária explicando a situação toda pois pago o aluguel até antes do vencimento e acho que alugo 2 quartos, não 1.

Como nunca mais fiz nada na sala de visitas, não tenho problemas. Mas qual foi a minha surpresa ontem, aqui no quarto, o vizinho debaixo reclamou? Desde meados de janeiro quando o meu iMac chegou, sempre assisto as minhas séries e filmes aqui. Nunca muito alto, confesso que algumas vezes o som dá uma chacoalha o piso por causa do subwoofer mas se você levar em conta que andando o chão treme, não é muito diferente. Ontem, às 10:00 estava assisindo Xena, um seriado com som simples estéreo e teve uma explosão e o subwoofer tremeu o chão um pouco. 3 minutos depois, sinto no piso as batidas do vizinho debaixo. eram 10:03PM cravados. Tenho aqui um aplicativo para medir decibéis e vi que no sobwoofer, repito, com o medidor NA FRENTE do subwoofer, estava 80db, provavelmente no apto debaixo era algo em torno de 60db. O nível de ruído normal do meu apartamento é de 46Db, só para se ter uma idéia.

Me deu um nervoso tão grande isso que comecei a pesquisar na internet e achei um site da comunidade estrangeira na Alemanhachamado ToyGermany. Lá, vasculhei os foruns e achei várias, mas muitas reclamações de estrangeiros iguais as minhas. Assim, pelo menos, vejo que eu não sou o diferente. Para piorar, não existe uma lei clara como a que existe no Rio, ou seja, não existe um limite oficial de ruído definido pela lei orgânica de Berlim.

A conclusão que eu chego é bem simples; em um prédio sem porteiro ou síndico é cada um por si e que se dane a coletividade. Se me incomoda, não irei tentar te “entender”. Afinal, para que iria tentar te entender? Não sou nada seu!

Isso me lembrou dois casos ao longo da minha vida. Minha mãe sempre gostou de morar no 1o andar e eu fui da geração playground. Quase toda a minha infância eu passava jogando bola e brincando de pique no playground do meu prédio, embaixo da janela da minha mãe. Imaginem se a minha mãe e meu pai, ambos trabalhando a semana inteira e meu pai literalmente acordando ao toque da alvorada para ir ao quartel reclamassem que no fim-de-semana não podem dormir porque um monte de crianças ficam fazendo barulho debaixo da janela deles? Outra foi o meu último apartamento. Adorava a sua planta com um corredor bem extenso mas por causa da área central, qualquer sussuro perto da cozinha dava para ser ouvido até a cobertura. Com isso, se escutava o assovio do elevador subindo e o meu vizinho debaixo todo dia cantarolando na hora do café. Jamais reclamei, assim como ele também jamais reclamou quando eu esporadicamente botava o meu home theater à prova vendo Jurassic Park e colocando um copo na mesa para ver se a água se mexia. Acho que se eu fizer isso aqui, a minha prisão vira manchete no Globo no dia seguinte.

post Category: Notícias post Comments (0) postMarch 17, 2009

ParisPassei uma semana espetacular em Paris à convite da minha mãe e do Zé Carlos, seu marido. Foram sete dias intensos de cultura intelectual e gastronômica.

Uma cidade única que diferentemente de Londres e principalmente Berlim, não sofreu muito com os bombardeios durante a 2a guerra e por isso preserva muito de sua história. A cada esquina, cada praça podemos ver um pedacinho de arte ou história. Não é à toa que várias celebridades da cultura mundial foram morar nessa cidade como Thomas Jefferson, Santos Dummont e por aí vai.

Aproveitei esse tempo para desenferrujar o meu parco francês nível DELF 1 que pelo menos quebra um galho. Estarei escrevendo em breve sobre as atrações que visitamos não só em Paris como no Vale do Loire, um passeio de dia inteiro espetacular e imperdível, que recomendo imensamente mesmo sendo meio carinho.

A volta para Berlim foi interessante. Mesmo já tendo ido ao Rio neste meio tempo, desta vez quando cheguei em Tegel, reparei o quanto já estou adaptado à cidade. Sei os caminhos, mal ou bem entendo a língua e me vi por diversas vezes, durante várias conversas, defendendo Berlim perante Paris, como se isso fosse possível. Berlim é uma cidade única, com suas história tão única quanto Paris. Talvez pelo fato de ser uma história mais recente, me atrai imensamente.

Cada vez mais é certo para mim que a Europa em si é um campo impossível de ser explorado durante uma vida só. O que acaba por ser frustrante pois tudo é “logo ali”. O vôo de Berlim para Paris é apenas 1 hora e 40 minutos; menos que ir até Manaus do Rio, se não me engano (é muuuuito mais barato com certeza). Com isso você tem acesso à uma cultura totalmente diferente logo ali, a um vôo de distância. Abrir mão disso em julho vai ser muito difícil… 🙁

post Category: Pessoas de Berlim post Comments (1) postMarch 3, 2009

Atenção, o que vou contar abaixo não é piada. Realmente aconteceu nessa última sexta-feira comigo e uns amigos que estávamos indo à um clube.

Nesta última sexta me convenceram a um a um clube com uma galera do curso de alemão. Como não divido o apartamento com ninguém (é meu, todo meu! 🙂 ), combinei com o pessoal para se encontrar aqui em casa e daqui saírmos juntos, já que a minha casa era no meio do caminho.

Como um bom nerd, pesquisei o caminho todo no site da BVG, a empresa responsável pelo transporte público aqui de Berlim. Logicamente para “facilitar” as coisas, o clube ficava super contra-mão, aquele perto-longe. Tinha que pegar um trem até a próxima estação, então pegar um ônibus por mais 4 pontos. Até aí tranqüilo, sem problemas.

Todos prontos e preparados, partimos para o trem, que foi tranquilíssimo. Chegando na estação que começa o problema. Tinha ponto de ônibus dos dois lados e logicamente sem indicação qual delas seria a correta para nós. Precisávamos pegar o ônibus M27 na direção da estação de Pankow mas, logicamente o lado que escolhi, o ponto era exatamente para a outra direção, estação Jugenferheide, ou seja, a estação que eu estava. O que a lógica diz? Cruzar a estação para exatamente o outro lado e foi isso que fiz. Acontece que do outro lado, no ponto de ônibus, estava escrito a mesma coisa! Ponto para Jugenferheide! Olhando no mapa, vi que a rua que tínhamos que ir era mais perto de onde fomos primeiramente então lá fomos nós cruzando a estação. Por sorte, estava chegando o M27 quando chegamos no ponto. Qual é a surpresa quando vimos que estava escrito …. Jugenferheide! Meu Deus! Como pode? Bem, pedimos para uma das meninas do grupo, que fala um alemãozinho melhor, parar o ônibus e perguntar onde é o raio do ônibus. Vou ter que reproduzir o diálogo pois é algo surreal:

– Este é o ônibus que vai para Pankow?

– Não.

(o motorista não falou mais nada e já ia fechando a porta! )

– Onde seria então o ponto, por favor?

– Do outro lado da estação.

Vale dizer que o ônibus estava vazio e ele sequer olhou para a nossa cara. Éramos 3 pessoas, relativamente bem vestidos e estava escuro e meio deserto ali, mas tudo bem.

Fomos para o outro lado e qual é a surpresa quando naquele ponto onde também estava escrito Jugenferheide, chega o mesmo ônibus que nos deu a informação do outro lado? Bem, ficamos tranqüilos pois como ele mesmo disse, era ali que tínhamos que ficar. Achei estranho pois os pontos de ônibus todos tem escrito a direção em que o dito vai mas tudo bem, quem sou eu para discutir.

Agora começa o absurdo. O motorista parou o ônibus, desligou e apagou as luzes. Nós 3 ali do lado de fora, os mesmos 3 que ele não só viu do outro lado como chegou a nos dar a informação. Tudo bem que não estava congelante (4 graus) mas eram 10 da noite, tudo escuro e tinha uma menina, não custava deixar a gente entrar e sentar. Ele abriu a marmita, comeu tranquilamente um sanduíche, bebeu uma agüinha, ficou olhando para frente (não olhou para nós nenhuma vez).

Calma que ainda tem mais….

Depois de 10 minutos, ele dá a partida do ônibus e acende a luz. Quando reparo que o ônibus dá uma levantada (aqui os amortecedores abaixam para o ônibus ficar da altura do meio-fio e assim facilitar o acesso), me deu um estalo; “esse cara vai sair sem a gente”. Só deu tempo de verbalizar para os meus amigos e não deu outra; o cara partiu!!!  Eu, por sorte, reparei que tinha um ponto de ônibus à uns 300 metros à frente e logo que vi ele saindo, corri na direção e falei para todos também entrarem no pique senão iríamos perder. Para nossa sorte, tinha acabado de chegar o trem e tinha mais umas 6-10 pessoas para embarcar. Só sei que se eu soubesse um pouco mais de alemão, o cara iria escutar muito! Eu estava roxo de raiva e só consegui falar bem alto e grosseiramente um VIELEN DANK (Muito Obrigado).

O inacreditável é que: 1 – ele SABIA que nós iríamos para Pankow. 2 – Estava claro que éramos turistas. 3 – O que custava ele deixar a gente entrar no ônibus enquanto ele estava no ponto final?

—-

Isto que narrei acima não foi um caso isolado, pelo contrário, ser bem atendido que é um uma raridade. O bom que a maioria das vezes tenho provas para isso. Uma vez em um restaurante com a minha amiga espanhola Yhazmina e quando estávamos para nos sentar em uma mesa, uma garçonete grita, literalmente grita: “NÃO SENTA AÍ!!! Será que não está vendo que está reservado?!?!” Vale dizer que não era uma lanchonete e sim um restaurante relativamente de nível em uma das zonas mais badaladas da cidade.

Outro caso foi com o meu ex-aluno Péricles, ajudando-o a comprar um bilhete de trem para Munique. Péricles pergunta qual seria o primeiro trem para Munique e o atendnete vira e diz : “1.23 AM” então Péricles vira e diz: “Ahh, e para depois das 6:00AM? ” o cara responde: “Não foi isso que você perguntou anteriormente.” e pára. Pára! Não faz mais nada até que Péricles teve que se desculpar e pedir a informação de novo. Pode isso?

A minha singela opinião é que serviço direto assim é considerado uma função relativamente inferior, até pelos que a estão exercendo. Com isso ele já te atende com raiva, com certa mágoa. Qualquer coisa que você peça fora do padrão ou que exija algo a mais do atendente é quase um xingamento para eles. Sendo assim, venha para Berlim preparado psicologicamente para não ter a mesma atenção que estamos acostumados no Brasil na maioria das vezes.

[UPDATE] – Pelo visto não sou só eu que acho. Saiu um imenso artigo na Der Spiegel online e em inglês sobre o investimento da prefeitura da cidade para ensinar os funcionários públicos a sorrirem. Já viu né?

post Category: Além dos Wienerschnitzels post Comments (1) postFebruary 23, 2009

Carro voou até o telhado de uma igrejaUma das coisas mais comentadas que estrangeiro curte na Alemanha, principalmente para os amantes da velocidade, é o fato que as estradas aqui não tem limite de velocidade. Bem, não é bem assim. Para início de conversa, a maioria das estradas tem sim um limite de velocidade. Alguns trechos, normalmente sempre retas, tem a velocidade máxima liberada mas existe uma sugestão, que normalmente é de 130 Km/h.

Uma conjunção de fatores permitem isso. Primeiro, obviamente é a qualidade da estrada. Já rodei por aqui por várias regiões (até mesmo na antiga Alemanha Oriental) e a qualidade das estradas é algo incrível! Não há um simples remendo sequer. Não sou engenheiro ou especialista mas poderia dizer que tudo começa pela qualidade do concreto/asfalto que é utilizado. Realmente o movimento de caminhões nas rodovias é bem menor mas eles estão ali e são em geral maiores que os nossos. Outro detalhe interessante é que não há um único pedágio em toda a Alemanha. Atualmente várias discussões estão sendo levantadas neste aspecto mas os alemães consideram suas rodovias um bem público que não pode ser taxado mais do que já se pede dos impostos sobre os carros.

O segundo ponto é exatamente esse; o carro. Se você acha a vistoria do DETRAN um saco, é porque não viu a vistoria alemã. Para se ter uma idéia, se o carro tiver um ponto de ferrugem em determinados lugares, ele não ganha o selo de aprovação. Com isso, não se vê carro caindo pelas tabelas pela rua. Claro que existe carros velhos mas mesmo os carros com mais de 10 anos, como o Golf que eu dirigi (com 15 anos) estão super bem-conservados. Junte à isso a qualidade dos carros germânicos e você entenderá que muitas vezes quando se dirige um Mercedes, BMW ou Porsche, chegar à 200km/h não parece um absurdo. Quando dirigindo o velho Golf, 120 Km/h era algo padrão, quase devagar demais para determinadas estradas. Cheguei à 160km/h em alguns trechos, o que já me fez suar frio já que não estava acostumado.

Aí entra o terceiro elemento; o motorista. Para se tirar a carteira de motorista alemã não é moleza. Estava conversando com uns amigos, você praticamente tem que dirigir sob diversas circunstâncias, como por exemplo fazer prática em estrada, de noite, piso molhado e por aí vai. É um processo tão complicado que teve gente que conheço preferiu tirar a carteira enquanto estava no intercâmbio nos Estados Unidos e validá-la aqui em Berlim que começar o processo todo aqui. Além da dificuldade em si, é um processo caro, na base dos 1000 euros o processo todo, entre custos de prova, aulas de auto-escola e etc. Junte à isso a tradição alemã de seguir regras à risca, você raramente verá um carro fechando o outro ou alguém buzinando. Para se ter uma idéia do cúmulo (pelo menos para nós brasileiros), aqui se dá seta se for mudar de faixa, andando em uma reta, na cidade, 2 da manhã, sem nenhum carro atrás. Não estou falando em fazer uma curva ou algo não, apenas mudar de faixa. Parece óbvio mas no Rio de Janeiro, raramente se vê. Avançar no amarelo aqui? Algo impossível. E não pense você que são apenas os motoristas.  Pode não vir carro algum, se o sinal estiver vermelho para os pedestres, ninguém atravessa, por mais deserta que a rua esteja. A tendência é sempre esperar o sinal verde para caminhar.

Lógico que acidentes acontecem, como este aí da foto acima onde um carro saiu da estrada e voou até o telhado de uma igreja. O engraçado é que quando ocorre acidentes assim, a primeira teoria que se vem à cabeça é falha mecânica ou algo assim, não que o motorista esteja alcoolizado ou algo parecido. Acidentes graves são tão raros que ouvi uma história que comoveu a Alemanha um tempo atrás. Uma família estava na estrada à uma velocidade normal (uns 100 km/h) quando um Audi veio à toda e colou na traseira do carro deles e começou a pressionar, jogando farol alto para que o carro abrisse caminho. A mulher que estava digirindo se assustou, deu um golpe de direção e acabou batendo na mureta de contenção e morreu com duas crianças dentro do carro. Foi uma verdadeira perseguição para descobrir quem foi essa pessoa que jogou o farol para passar. O irônico é que isso acontece à todo o momento em nossas estradas e consideramos normal jogar o farol para passar.

post Category: Notícias post Comments (1) postFebruary 12, 2009

Londres - London Eye Que Londres é uma das capitais mais importantes da Europa ninguém tem dúvida. Assim como coisas para fazer não faltam. Londres ainda tem um atrativo a mais que outras cidades européias não me oferecem; os musicais no melhor estilo da Broadway. Por outro lado algo que os ingleses não são famosos é sobre a qualidade de sua comida.

Mesmo tendo ido à trabalho, tentei aproveitar ao máximo todos os momentos disponíveis para curtir a cidade mas sinceramente, em 5 dias, não deu para ver quase nada da cidade e seus atrativos. O tempo até que deu uma grande ajuda, me brindando um dia de sol que permitiu a minha ida ao London Eye. De resto, choveu e ficou nublado, como era de se esperar de Londres. Outra grande notícia foi o fato da libra esterlina estar tão baixa, custando .90 de euro.

Eu devo agradecer à minha amiga FêSim que foi uma excelente guia e uma ótima shopping consultant. Quero vê-la com o Converse, hein? 🙂

Desta vez estarei fazendo um approach diferente para falar sobre uma cidade que visitei. Em vez de dizer o que fiz dia-a-dia, vou falar sobre as atrações que fui. Infelizmente foram muito menos que eu gostaria pois  afinal de contas, estava à trabalho. Mesmo assim tentei aproveitar ao máximo. Em geral posso dizer o seguinte:

– Diferente de Berlim, em Londes você pode pagar praticamente tudo com cartão de crédito, o que é um sonho.

oyster_card– Eu não peguei um taxi sequer. Andei para tudo quanto é lugar de trem e para isso usei o Oyster Card. É um RioCard MUITO melhorado pois ele é facilmente recarregado em qualquer estação, usando-se dinheiro ou cartão de crédito além de ser reconhecido pela roleta mesmo estando dentro da carteira. Gastei nos 5 dias algo em torno de £40 com metrô. Outra dica preciosa do metro londrino é não ter pressa. Os trens vão para todos os cantos mas são apertados e estão sempre atrasados. Volta e meia uma linha pára também. Outras, oferecem trens a cada 2 minutos. Depende muito da linha que você vá usar.

– Pegue os trens expressos do aeroporto até o centro. Peguei um de Gatwick até a estação Victoria por £16.90 e a viagem durou 30 minutos.

– Use sua carteira de estudante. Acredite! Ela presta! Eu achava que só dava uns trocados de descontos em museus mas consegui com ela comprar uma entrada de musical por mais de 50% de desconto! Foi O achado da viagem.

– Não vá para Londres para compras. Mesmo assim, com essa crise econômica fique de olho. Eu achei DVDs por preços de banana da Zavvi, que está falindo e queimando os estoques. Ao mesmo tempo, a loja da National Geographic é um verdadeiro roubo. Uma camiseta custa £40!!

post Category: Além dos Wienerschnitzels post Comments (1) postJanuary 29, 2009

monsieur_vuong Uma dica fashion de restaurante aqui em Berlim é o Monsieur Voung, um restaurante vietnamita que fica no bairro fashion de Hackescher Markt. Não é um restaurante grande nem tem uma carta de menu grande, na verdade, deve ter no máximo uns 10 pratos e olhe lá e metade deles mudam diariamente.  A idéia com isso é sempre oferecer pratos bem frescos, já que a maioria dos pratos vietnamitas são altamente baseados em verduras.

O ambiente é descolado e moderninho mas não muito confortável. Os bancos são quadrados de madeira e sem encosto. A minha teoria é que para isso as pessoas não fiquem muito tempo pois a rotatividade é enorme, tanta que nem recerva eles aceitam. Isso não desmerece a qualidade da comida. Mesmo eu que sou cheio de frescuras para comer, não conseguindo comer nada muito apimentado e não sendo fã de verduras, eu consegui encontrar algo e o bom que como não são pratos assim super elaborados, o serviço é bem rápido.

Não é um restaurante barato mas também não é caro e a comida é o suficiente para te deixar satisfeito (mas não para dividir um prato). O bom que ali aceitam cartões de créditos, o que não é muito normal aqui em Berlim. Talvez pelo grande fluxo de estrangeiros naquele bairro, também oferece um menu em inglês. Uns pratos vietnamitas do Monsieur Voung. Outra boa pedida lá são os sucos e misturas de frutas com hortelã, leite de côco e etc. Essas eu achei meio carinhas para o tamanho do copo mas…. vale pela experiência. 🙂

Se for lá, não deixe de se perguntar por que raios tem um poster gigante de um vietnamita marombado na parede (vide imagem neste post, que digitalizei do cartão postal que eles nos dão). Presumo que seja o Mr. Vuong.

post Category: Além dos Wienerschnitzels post Comments (0) postJanuary 23, 2009

Museu Judaico de Berlim O Museu Judaico de Berlim é uma experiência intelectual e sensorial. Quase na divisa entre Centro (Mitte)  e Kreuzberg, mais ou menos na época onde o muro ficava.

O museu não só conta a história do povo judaico na Alemanha desde os tempos romanos mas também é uma imersão na cultura judaica em si. Eu confesso que estava preocupado em ser algo apenas baixo astral, deprimente, focando apenas no Holocausto mas nada disso. O museu segue uma linha que o mais importante é divulgar a cultura do povo judaico, desde sua chegada à região da Alemanha na Idade Média até os dias de hoje. Tem momentos lúdicos  como colocar uma romã de papel com um desejo seu em uma árvore que assim seu desejo será realizado. Teoricamente, pela cultura judaica, a árvore do paraíso era uma árvore de romã e não uma macieira. Bem, como não custava nada, coloquei lá o meu desejo. Você aprende a escrever o seu nome em hebraico, a origem de certas palavras em idish e sua semelhança com o alemão. Além disso, vários ilustres judeus alemães estão representados com suas biografias e objetos pessoais.

Logicamente o holocausto está presente, com vários objetos das vítimas e principalmente através das experiências sensoriais. Aí que para mim entra o grande diferencial deste museu; a arquitetura. O prédio novo (pois o prédio do antigo museu ainda está sendo utilizado, inclusive é onde fica a bilheteria) projetado por Daniel Libeskind, em si é uma obra de arte toda voltada para que o público “sinta” a história do povo judaico. Com um formato de Estrela de Davi desconstruídae toda irregular, é  dividida em três eixos (Continuidade, Emigração e o Holocausto) que se cruzam, cada um deles levam para determinadas exposições. O da Emigração nos leva para um jardim com o chão angulado (12 graus) com 49 pilares que fazem o público ficar desorientados, como os emigrantes que foram forçados a deixar sua terra natal e se adaptar à novas culturas.O eixo do Holocausto vai ficando cada vez mais estreito com o teto cada vez mais baixo até chegar em uma grande porta de metal, quando você entra, é uma torre de 24 metros de altura, sem aquecimento ou ar-condicionado, toda escura só com uma fresta lá no topo. Por essa fresta dá para ouvir os barulhos de fora, ainda mais que em frente ao museu tem um parquinho onde crianças sempre brincam. É praticamente impossível você entrar lá e não se sentir desolado.

Sem dúvida é um dos melhores museus da cidade e imperdível para qualquer passeio.

Museu Judaico de Berlim

post Category: Notícias post Comments (0) postJanuary 14, 2009

Neve SujaQuando se é brasileiro e a neve não é uma constante e se tem o contato com ela pela primeira vez , é algo maravilhoso e mágico. Quando se mora em um país que o inverno é quase todo coberto por neve, essa mágica se torna um pesadelo.

Morando aqui em Berlim passei da paixão para raiva em relação à neve. Quando caiu pela primeira vez é lindo tirar fotos, sentir a textura, curtir o momento. Agora que estou me mudando para um novo apartamento onde tenho que arrastar por quarteirões malas e caixas, estou com ódio mortal dela. Primeiro que ela não é tão branca assim. Para evitar que as pessoas escorreguem, a prefeitura joga nas calçadas e ruas algo como uma terra, areia ou cascalho, deixando a neve escura, elameada.

Quanto mais frio fica e mais a neve é pisada, ela vai se solificando e se tornando gelo, altamente escorregadio. Parece que estamos em um ringue de patinação. Já tomei um belo tombo por causa disso, correndo para pegar um trem.

Para piorar, não sei se desejo que o tempo esquente. Se esquentar, a neve derrete e tudo fica molhado, sujando toda a casa quando se chega. Por isso as pessoas aqui tem o hábito de se tirar o sapato quando se chega em casa. Esse hábito me fez rever a minha opinião sobre meias pretas. Eu odiava usar, sei lá. No Brasil não é comum usar meias pretas esportivas com tênis mas aqui é comum exatamente por este detalhe. Se ficar andando pela casa com meias brancas, na hora fica claro que ela está suja.

post Category: Dicas para se viver fora post Comments (0) postJanuary 5, 2009

220v

Parece bobagem mas foi motivo de quase choro meu aqui. Como normalmente só viajamos com, no máximo, laptops, câmeras digitais, iPods e etc, não estamos acostumados a se preocupar com esse lance de voltagem pois todos são bi-volts, ou seja, suportam tanto 110v quanto 220v. Minha surpresa foi quando fui plugar um telefone Skype porreta que tinha comprado na Amazon.com especialmente para poder falar com o Brasil mais barato. É (ou melhor, era) daqueles telefones que ligam direto no roteador e nem precisam do computador ligado.

Você liga e nada acontece. Não explode, não tem cheiro de queimado nem nada. Só não liga. Ou melhor, aparece a tela por segundos e nada. Uma dor no coração só. Estou há meses tentando ver se conserto pois sem falar alemão, fica complicado ligar para um suporte. Isso porque há 6 meses atrás eu já tinha queimado um rádio-relógio que era uma base para iPod.

Como comprei ambos os produtos nos USA, não está claro no manual (pelo menos não para um pobre mortal como eu) que ele é apenas 110v. A melhor maneira mesmo é olhando direto no transformador em um texto quase intelegível. Foi assim que salvei o meu roteador que trouxe do Rio, que por um acaso também é apenas 110v. Sendo assim, quando for morar no exterior e for levar seus produtos eletro/eletrônicos, é bom checar se são bi-volts e tratar de comprar vários transformadores. 🙂

Com isso, meninas, cuidado! Sua chapinha pode ir para o espaço junto com o seu secador se ambos não forem bi-volts.