10 dias após completar 1 mês que realmente moro na Alemanha ainda me sinto meio turista. Tudo bem que pouca gente volta 6 vezes para a mesma cidade no espaço de 2 anos mas com certeza um “local” eu não sou. Resolvi fazer um balanço geral de como foi este mês, tanto no aspecto prático (financeiro, logístico e etc) como no psicológico (relacionamentos, solidão, vínculos e etc).
Abrir mão de onde de uma estrutura toda montadinha ao longo de anos é muito difícil. Eu simplesmente amava o apartamento que morava. Ali, no coração de Ipanema, na quadrinha da praia, puxa, que beleza. Acontece que não tinha mais como bancar sozinho com o meu salário de professor e teria que ir para um menor, talvez nem mesmo em Ipanema, onde praticamente morei a minha vida inteira quando estive no Rio. Essa foi uma das minhas “forças motrizes” para vir morar em Berlim.
Mesmo rachando o aluguel aqui, ainda não sinto que a casa é “minha”. Sou um convidado. Nunca fui dos caras mais organizados mas a bagunça que imperava na casa me incomodava. São costumes diferentes, isso eu não tenho dúvida mas até onde eu saiba, os alemães são conhecidos pela sua organizaçào. Dei o azar de ir morar com duas meninas que não seguem muito essa tradição. Como aqui empregada é um artigo de altíssimo luxo, tudo tem que ser feito por nós (leia-se, eu), Não me importava em ajudar mas resolvi tomar para mim a parte de limpeza pesada, já que cozinhar sou uma negação. Está sendo uma experiência boa pois é algo que nunca tinha feito e com certeza a gente valoriza mais e percebe também quando a empregada dá aquele “migué” na limpeza. Agora no fim do mês, a Steffi se mudou e irei tomar posse do que era o quarto dela. Antes disso, fiz uma limpeza pesadíssima (vide próximo post). Talvez aí eu me sinte mais “dono” das coisas. Pelo menos, terei um canto onde as coisas serão do meu jeito.
Em termos financeiros acho até que me segurei bem. Gastar é inevitável pois mesmo não precisando montar um aoartamento, tem-se gastos diários. Determinadas coisas para mim eram fundamentais, como fazer ginástica em uma academia que falasse inglês (82 euros por mês). Me dei certos luxos como por exemplo comprar um iPhone.(145 euros) e também quis presentear as pessoas que amo mandando coisas daqui que sei que as fariam felizes (no total algo em torno de 100 euros).
Na faixa dos gastos quase obrigatórios, entrou o upgrade do meu laptop para eu poder editar o meu filme (300 euros com a mão-de-obra) e uma bicicleta para meio de transporte (130 euros e falarei mais em breve).
Tem coisas que não tem como escapar como supermercado/comida, transporte, telefone, aluguel e etc. Antes de vir para cá, me informei e calculei em torno de 1000 euros por mês para existir, sem contar luxos. Por isso apertei bem o cinto nos ultimos 6 meses de Brasil para fazer um pé de meia legal para me manter aqui e aproveitar.
Não vim para a Alemanha para ficar enfurnado dentro de um apartamento e sair é praticamente igual à gastar. Cabe a nós optimizar tais gastos. Evito restaurantes, não compro roupa e me seguro muito em DVDS (a minha mania e paixão) mas também quero me socializar então 1 vez por semana vou jogar volley de praia com uns amigos (3 euros) fui à Ópera com outro grupo (30 euros) e fui ao cinema no dia mais barato (5.50 euros). No supermercado evito comprar produtos caros e sempre vou no mais barato mas tem coisas que não consigo evitar. Eu sou um chocólatra e sempre tenho que comer um quadradinho então em casa sempre terá uma barra de Milka (79 centavos). Aproveito estar aqui para experimentar outros luxos como iogurte grego (1.70), azeite de oliva puro espanhol (4,50 o litro), presunto ibérico (2 euros 100 gramas) e o quark alemão (60 centavos o pote). No total, gastei de supermercado algo em torno de 200 euros, lembrando que não compro coisas só para mim e sim para a casa também, como produtos de limpeza.
Mesmo usando o Skype, um bom dinheiro vai para o telefone. Uma ligação do Skype que é re-direcionada para o celular alemão fica em 20 centavos de euro por minuto. Se atendo no computador, ótimo, não pago nada mas se atendo na rua, o “taxímetro” roda. É um mal necessário ainda mais neste primeiro mês que larguei o pepino da mudança na mão da minha mãe (santa mãezinha!). Eu imagino como a vida era pior sem regalias como o Skype-In (permite-me ter um número local no Rio de Janeiro que as pessoas de lá ligam e toca aqui em Berlim). Bote nesta conta também o transporte de trem (75 euros andando muito à pé) e aí está onde vai o dinheiro. Quem quiser mais informações ou algo mais específico, é só perguntar.
No fim das contas, acabei gastando mais ou menos o que imaginava. Mais do que o mensal previsto, mas nada fora do planejado. Mês que vem mais dinheiro deve ser gasto pois mal ou bem, tenho que arrumar o quarto para mim e para visitas.
Na parte emocional, as coisas foram mais complicadas. Por mais que tentem te fazer sentir em casa, é diferente. Já me acostumei a me virar sozinho e depender pouco da atençào das pessoas mas volta e meia bate aquela saudade de casa e quando falo casa não é da cidade do Rio e sim do meu canto, onde ninguém te incomoda, você faz o que quer e etc. O fato também de não saber a língua fluente me enerva pois uma pessoa muito verbal e nem todos aqui falam inglês. Como posso despejar o meu humor irônico se ninguém entende a ironia?
Essas crises são pontuais e nada que 10 kms de corrida na esteira não amenizem. O outro aspecto é ótimo também. Por estar sozinho e não entender nada do que é falado, eu me apego à detalhes. Fico observando maneirismos, estilos e características dos alemães assim como sua cultura. Berlim é a cidade dos contrastes. De um lado a cidade moderna, metropolitana representada por Potsdamer Platz. Do outro, a rebelde, anárquica, bem ilustrada pelo bairro iminentmente estudantil de Friederischaim. Os meus passeios à pé me permitiram ver um pouco do dia-a-dia da cidade e tirei muitas fotos para representar isso.
Eu amo cultura. Adoro história e poucas cidades no mundo poderão me dar mais disso que Berlim. Meu trabalho de monografia da faculdade de Relacões Internacionais foi exatamente um paralelo traçado de Berlim com praticamente todos os acontecimentos do século XX e o seu papel agora neste novo século e principalmente da União Européia. Toda vez que me sinto triste e falta do contato daqueles que amo, me lembro disso e porque estou aqui.
Essa não é a minha primeira experiência morando fora do Brasil mas talvez esteja velho demais para isso (soa exagerado para alguém com 30 e pouco s mas… ). De qualquer maneira foi apenas o primeiro mês. A tendência é melhorar daqui para frente.
Estou escrevendo uma lista de regrinhas importantes não só para me ajudar mas para servir de dica para quem for morar fora, independente da idade que tenha. O primeiro ítem da minha lista de regras é:
- A Alemanha não é o Brasil! – Temos a tendência de comparar onde estamos com o que estamos acostumados e isso é muito ruim. A partir do momento que resolvi viver aqui por este tempo, tenho que aceitar a vida como ela é e não ficar frustrado porque não é como no Brasil. Se aqui não tem empregada, uma droga mas tenho que limpar a casa e cozinhar. Não tem elevador no prédio? Bem, vou ficar forte de tanto carregar litros de água 4 andares. Comecei a reparar que estava ficando um chato de galocha por ficar reclamando destes fatos o tempo todo. Oras, se a vida é assim aqui, tenho que aceitar ou então devo voltar para o Brasil. Vale dizer que se tem coisas “piores” que o Brasil, tem coisas MUITO melhores. Aqui sinal vermelho quer dizer parar mesmo e não acelerar. Beber e dirigir? Nem pensar! Onde poderia imaginar andar com o meu iPhone lendo o jornal pela rua às 2 da manhã no Rio de Janeiro? Ou mesmo TER um iPhone? Se aqui não tem o “jeitinho” brasileiro, tem outras coisas muito mais interessante. Como um bom visitante, lembre-se de enaltecer isso aos seus amigos locais (seja isso na Alemanha ou em qualquer outro país), isso mostra educação e preparo internacional seu.
Que venha o próximo mês! Agosto, estou pronto para você!
August 8, 2008


















































Horaayy..there are 2 comment(s) for me so far ;)
Eric, boa tarde! Estou acompanhando o seu blog depois de ouvir dele no podcast da Bia. Em outubro desembarco feliz da vida no Tegel, e já estou vendo que vou ter de abrir o bolso. Aliás, pretendo contratar um plano de voz/dados (ilimitado) para ter mais mobilidade em Berlim e, futuramente, em outras cidades da Europa. Neste sentido, qual o melhor plano? Há muitos hotspots por aí?
Abraço!
Manassés,
Olha, o meu plano é ilimitado de DADOS da T-Mobile por forca do iPhone. Eu pago 50 euros por mês e tenho só 100 minutos e 40 SMSes além dos dados. Como nao ligo para ninguém mesmo por aqui, ele me atende bem.
Ilimitado de voz E dados eu sinceramente nao vi por aqui mas vou dar uma olhada. O que vi foi dados para laptop, ou seja, vc coloca aquele pendrive USB e aí tem Internet em qualquer lugar. Plano como esse flutua em torno de 30 euros por mês (eu vi na própria TMobile e na 02).
HotSpot aqui em Berlim tem em vários cafés além do já tradicional Starbucks. Também no Sony Center em Potsdamer Platz se tem acesso de graca via WiFi mas nao uso muito já que o meu plano 3G do celular tem flatrate de dados.
Qualquer dúvida é só falar!
Abracos,
Erick Pessoa