Hoje, dia 31 de outubro, uma página da história é virada e não só da história alemã mas com certeza do mundo inteiro. Este que foi considerado pelo grande arquiteto inglês Sir Norman Foster como a “Mãe de todos os aeroportos” vai fechar suas portas.
Um dos mais antigos aeroportos em funcionamento do mundo juntamente com o aeroporto CImpanino de Roma, Tempelhof foi o berço da companhia Aérea Lufthansa (1926). Além disso foi durante muito uma das maiores construções do mundo mas nada disso é relevante comparada à operação da qual foi palco durante 11 meses entre 1948 e 1949. Durante esse tempo, Tempelhof foi a única porta de entrada de tudo para Berlim Ocidental. Com o bloqueio terrestre e marítimo imposto pelos soviéticos, os americanos e os britânicos resolveram comprar a briga e montaram um verdadeiro esquema de guerra para que a cidade de Berlim Ocidental fosse abastecida através de vôos regulares levando mantimentos e tudo quanto é tipo de gênero. Para se ter uma idéia, aviões decolavam a cada 3 minutos durante 24 horas sem parar, com uma precisão incrível pois não é só a decolagem em si, tem que descarregar, reabastecer taxear e etc. Isso só foi possível pelo trabalho conjunto entre americanos, ingleses e os cidadãos de Berlim. Entendam, menos de 5 anos antes, os mesmos americanos estavam bombardeando Berlim, agora voavam com mantimentos para salvar a mesma população que antes jogavam bombas sobre.
Durante os 11 meses entre 1948 e 1949, Tempelhof foi um exemplo mundial da capacidade humanitária. Não sou ingênuo ao ponto de achar que os americanos só fizeram isso por causas humanitárias. Eu sei muito bem que o motivo principal foi para provar aos soviéticos a capacidade americana mas isso durou 11 meses! Não havia necessidade de jogar balas para as crianças, por exemplo. Foi inevitável para mim sentir um aperto no coração quando visitei o aeroporto ontem para tirar umas fotos. Sei que realmente não existe como mantê-lo funcionando. Ele é tão central quanto Congonhas só que não oferece vôos de grandes aviões e com isso estava operando em um déficit de 50 milhões de euros anuais. Além disso, Berlim tem mais 2 aeroportos além de Tempelhof (Tegel e Shönefeld) e agora o governo está focando em Shönefeld para expandí-lo e em 2011 criar o BBI, Berlin Brandenburg International, um moderno aerporto para atender 20 milhões de passageiros.
O fato que hoje não é prioridade para a cidade de Berlim manter um aeroporto tão central e deficitário. Além de dar um prejuízo de 15 milhões de euros anuais, ele fica tão central que não é capaz de receber determinados aviões de grande porte. Para se ter uma idéia, imaginem Congonhas sem ser naquele pequeno morro, mas sim em um terreno plano. Pois é, este é Tempelhof. Apesar de nunca ter acontecido nenhum acidente, era um termor constante. Como consolo fica a garantia do governo que os edifícios (hall principal e hangares) serão mantidos mas ainda não se tem uma idéia exata do que será feito da enorme área ao redor dos prédios (com 365 hectares, sendo que o prédio principal, sozinho, tem 1.2 kilômetros de comprimento). Tudo leva a crer que será um grande parque ou uma área de lazer para a cidade.
De qualquer forma, o imponente prédio principal estará ali, lembrando à todos o peso opressor do Nazismo que o criou imponente para um louco plano megalomaníaco e ao mesmo tempo, lembrando que se realmente nos esforçarmos, somos capazes de superar traumas antigos por um bem maior, como foi no caso do bloqueio de Berlim.
October 31, 2008


















































1 person has left a comment
Que pena acabar, mas é o progresso.Tempelhof foi o aeroporto que cheguei pela primeira vez em Berlin, quando ainda havia o corredor aéreo e só voavam 3 companhias. Fez parte de uma era para a cidade e de um tempo muito bom para mim. Boa avaliação de um aeroporto que agora fica praticamente impossível de existir, mas que foi a salvação de berlinenses em uma época muito difícil do pós guerra.