Meike, uma amiga da Ina que também agora é minha amiga (já até ficou lá em casa no Rio de Janeiro), nos convidou para visitar sua cidade natal, Boppard, onde acontece o Festival do Vinho, já que a região é famosa mundialmente pelo excelente vinho branco Reising. Como um dos grandes objetivos dessa minha estadia aqui na Alemanha é exatamente conhecer o máximo possível, não tinha como recusar então na 6a lá fui eu, Meike, Steffi e Ina de carro de Berlim até Boppard, o que dá uma viagem de 7 horas.
Em Boppard ficamos na casa dos pais da Meike, que são super simpáticos e altamente hospitaleiros. A casa é super aconchegante e grande e como ambos falam bem inglês, tivemos altos papos sobre política, economia, história e (claro) futebol. Herr Götz é um médico aposentado muito culto e espirituoso então os papos eram ótimos, pelo menos para mim. Como chegamos às 12:00 AM de 6a, tomamos um café, um licor e ficamos batendo papo até às 2 e só paramos porque no dia seguinte tínhamos que estar meio dia no centro da cidade para pegar o barco.
O tal barco é um passeio (nem tão barato, custou €12.10) pelo Rio Reno em um navio de 3 andares que faz diversas paradas ao longo da viagem, como transporte público. Dei sorte e o dia estava simplesmente maravilhoso, algo em torno de 18 graus com céu azulzinho. O vale do Reno é algo maravilhoso! Eu contei, em 1 hora de viagem, algo como 5 castelos lindos nos morros ao redor. Impressionante. Este passeio pelo Rio Reno inclusive é recomendado pelo o meu guia de viagens da Alemanha.
Saltamos em St. Goar para ver a tal estátua de Loreley, a sereia que encantava os marinheiros e afundou diversos navios as pedras do rio Reno. A estátua em si era pequenina e ficava na outra margem de que estávamos mas o passeio em si foi maravilhoso pois como o dia estava bonito, ficamos andando pelas margens, onde encontrei até uma praia. Paramos para tomar um vinho jovem Federweißer , algo que nunca tinha experimentado. É bem doce, turvo e adorei. Vai ver que gosto de vinhos baratos. Aqui é tradição tomar tal vinho comendo um estilo de torta de cebola. O problema que estávamos tão entretidos com a bela paisagem que quando nos demos conta, faltavam apenas 10 minutos para pegarmos o barco de volta então tivemos que literalmente correr até o porto. No navio havia uma banda holandesa que vem ao festival para encher a cara e ficar tocando marchinhas e paquerar as meninas. Vale dizer que a faixa etária ia dos 25-65 anos e desde as 11:00 AM eles já bebiam.
Já de volta em Boppard, Meike nos mostrou as ruínas românicas do que seria o muro da fortificão local. Herr Götz nos buscou para o jantar especial para forrar o estômago para o festival do vinho. O tal jantar tinha apenas um prato; Dippekuchen , que é como uma BIG batata rösti, com batata ralada, cebola e temperos, muito bom! Acompanhando, purê de maçã. Neste meio tempo a irmã da Meike (Katryn) chegou de Bonn, assim como sua amiga Iris. No caminho para a feira, mais duas amigas se juntaram; Daniela e Jenny, com isso era eu e…. 8 mulheres!!! Ai ai ai, que coisa.
Descemos a pé da casa dos pais da Meike ladeira a baixo e eu só pensando como iria subir isso tudo tortinho de vinho já que eram uns bons 15 minutos descendo. Ao longo do caminho as amigas foram se encontrando e todas com um copinho na mão e uma garrafa de vinho, logicamente todos ótimos.
O festival de vinho é como qualquer outro festival mas a diferen?a mesmo é o frio (nem tava tão ruim assim, 10 graus) e a faixa etária; mais do que adolescentes, a faixa dos 30-40 era o que dominava. Como um brasileiro típico, eu era o único com um casaco com a cor berrante (viva o Brasil!) e com isso várias pessoas vieram falar comigo, sendo que um cara ainda me perguntou se era brasileiro mesmo ou se tinha comprado o meu casaco em uma loja aqui na Alemanha, humpft. O festival foi aberto com uma super queima de fogos. Super mesma pois demorou uns 10 minutos e foi sobre as águas do Rio Reno. Come?amos os „trabalhos“ logo depois dos fogos (umas 9:30PM) e fomos direto até umas 12:30AM, quando eu vi os pais da Meike na feira. Não titubeei, perguntei para o Herr Götz se ele poderia me dar uma carona de volta pois não estava afim de subir aquela pirambeira à pé. Comigo veio a Ina e Meike. O festival é legal mas depois de duas horas e meia bebendo vinho, meio que cansa. Comi também o melhor Pretzel da minha vida. Para mim, pretzel é duro, salgado e sem gra?a, como aqueles Stickys da Elma Chips. Aqui não era assim. O pretzel era gordinho, grande e super fofo, como um pão. Só a casquinha bem externa que era crocante e tinha o sal.
Em casa, mais uma rodada sobre economia mundial e história alemã. Isso tudo regado à schnaps, (licor digestivo à base de ervas). É muito interessante ver a opinião de um alemão ocidental (ultimamente só tenho tido contato com os ex-comunistas) da faixa etária dos 50 anos, a primeira gera?ão pós guerra. Super centrado e com uma opinião formada, Herr Götz acredita que chegou a hora da Alemanha parar de se lamuriar pelos erros do passado e seguir em frente. Ele comentou que seu pai nada falou da guerra em si tamanho foi o trauma, assim como seu sogro. Realmente é algo inimaginável para nós brasileiros. Esse papo durou até 2 da matina.
Dia seguinte, mais um delicioso café da manhã preparado pela Frau Götz, umas fotinhos no jardim de inverno da casa (com direito à laguinho e peixinhos dourados) e fomos para Koblenz, onde fica a chamada Esquina Alemã, o encontro das águas do rio Reno e o rio Mösel. Estudando sobre o tema (como um bom nerd) descobri que este ponto geográfico tem mais simbolismo do que aparenta hoje em dia. Durante o período das duas Alemanhas, aqui havia um monumento por uma Alemanha unida, não só a Ocidental e Oriental mas como também as áreas que foram anexadas pela Fran?a e Polônia após a guerra e onde fica agora a estátua eqüestre de Guilherme I (exatamente conhecido por ser o responsável pela unifica?ão alemã), havia uma enorme bandeira alemã que sempre aparecia quando as emissoras terminavam a sua programa?ão. Hoje em dia nada disso é muito aparente já que a estátua está de volta depois de ser restaurada após danos sofridos durante a 2a Grande Guerra.
Comemos algo na praça central (adivinhem, torta de cebola com o vinho típico daqui) e fomos para casa pois Meike estava febril e precisava repousar. Deixando ela em casa, Katryn, irmã da Meike, nos levou a uma vinícola bem pertinho, isso já por volta das 4-5 da tarde. Nossa, uma paisagem linda! Tirei umas 100 fotos (das quais as melhores coloco aqui e no Flickr). Interessante é que não tem uma sede, ou seja, aqui ficam só os campos de cultivos. Eu queria ver a preparação do vinho em si mas não tinha aonde ir. De qualquer maneira como a plantação é em uma encosta, a vista é maravilhosa! O que mais me surpreendeu é o fato que qualquer um pode entrar na vinícola, mesmo esta sendo privada, existe um caminho para exercícios, bancos para apreciar a vista e se você quiser, pode até pegar umas uvinhas.
Voltamos para casa e comemos um belo prato de carne com repolho vermelho e uma bola de batata bem tradicional alemã (Kartoffel Knödel ) chamado de sauerbraten, muito saboroso como sempre. De sobremesa, pêssegos ao creme mascarpone. Ninguém estava afim de fazer nada após este lauto jantar mas por uma pequena insistência minha, Herr Götz levou eu, Ina e Steffi para o centro da cidade para curtirmos um pouco o festival do vinho. Já era umas 8:30-9:00 da noite e a feira estava completamente vazia, com barracas fechando e tudo mais. Engraçado foi ver como Herr Götz é popular na cidade. Ele foi o médico chefe do hospital da cidade e com isso fez muitos amigos, tantos que o homem da barraca de pretzel nos deu um saco com 6 enormes! Tomamos dois cálices de vinho, comemos pretzel (mesmo sem ter espaço no estômago) e voltamos para casa para mais um round de conversas. Nos despedimos da Katryn que voltava para Bonn e também do Herr Götz porque ele iria sair cedo e fomos domir para pegarmos a estrada para Berlim na manhã seguinte.
Para fazer um agrado, fomos comprar flores para entregar à Frau Götz e também tentar descontar o meu prêmio de loteria. Pois é! Acreditem! Eu acertei 3 números da LOTTO (Mega Sena alemã) e segundo o pessoal eu tenho direito a uns trocados. Gosto de jogar 1 eurinho pois quem sabe né? Posso ganhar algum. Foi a 1a vez que tive coragem de jogar. Vamos ver quanto ganhei já que não pude descontar aqui pois só apartir de 4a pode-se resgatar o dinheiro.
Frau Götz é dona de uma deliciosa casa de chá no centro de Boppard. Parece uma casa saída de um conto de fadas de tão bonita que é (como vocês podem ver nas fotos). Ela nos ofereceu um belo chocolate quente, nos deu biscoitinhos e depois seguimos nossa viagem para Berlim. Inclusive, em breve vou comentar sobre os postos de beira de estrada aqui da Alemanha e sobre o pipi-money.
October 3, 2008


















































Horaayy..there are 2 comment(s) for me so far ;)
POrra, agora que eu percebi que vc esta morando aí. Fazendo o que tao longe, rapaz?
[]s
primata
[...] anteriores. A viagem que fiz este mês foi uma curta, até Boppard para o festival de vinho, como contei aqui. Gastei no total 100 euros para uma viagem espetacular. O problema é que, para o meu azar, [...]