post Category: Notícias post Comments (0) postOctober 20, 2008

Kato - Meu trabalho fazendo a luz de shows “I was looking for a job and then I found a job. Heaven knows I’m miserable now.” – The Smiths

Viver só do dinheiro do aluguel do apto do Rio que a minha mãe me manda não está sendo suficiente para manter uma vida de estudante/turista. Por mais que eu controle os gastos perante essa enorme Gomorra de consumo que me enche os olhos todos os dias, estou aqui para viver a experiência, não? Oras, um almoço no Restaurante de hamburgers orgânicos que comentei aqui custou €10. O presunto de rena defumado, €3. Uma suéter 100% lã para o outono ( só trouxe roupa pesada para o inverno, não tinha nada para meia estação) €40. Você somando isso ao aluguel, supermercado, telefone, academia e afim, lá se vão os €900, que por causa dessa crise bancária já se reduziu em 20%. O grande problema é que o meu visto não dá direito a trabalhar. O máximo que posso fazer são bicos ou consultorias.

A Ina, além de trabalhar para um banco e ser produtora de cinema, também toca em uma banda de rock/folk/gótico e assim acabei conhecendo o pessoal da banda dela, entre elas, o René.

René Fischer é um talentoso engenheiro de som com 24 anos que toca sozinho toda a parte técnica de um clube, além de estar se formando em Engenharia de Som e já engrenando uma pós no mesmo tema. Ele precisava de uma mão com as luzes dos shows em que ele fazia o som. O valor por noite seria €50. Como tenho uma tarde “livre” e adoro aprender coisas novas, topei sem ter a menor idéia do que se tratava.

Duas semanas depois eu já estava no clube para assistir um show onde Fabian, um amigo de longa data de René, faria as luzes. O lance é relativamente simples; o clube tem em torno de 20 pares de luzes para Show divididas entre o palco e o público (que as vezes vira discoteca) gerenciados por um dimmer, que é essa mesa da foto com as alavanquinhas. Dessa mesa você controla a intensidade da luz e os botões logo abaixo funcionam como um liga/desliga instantâneo para dar aquela “explosão” de luz a 100% de intensidade pelo tempo que o botão estiver apertado.

A casa ainda tem um par de canhões eletrônicos de luz (o que tem um espelhinho em cima que gira para todos os lados) controlado pelo 2o dimmer. Além disso, sou também responsável pelo fog (a fumaça) pois esta dá o volume a luz.

Os dois dimmers são altamente programáveis, podendo-se montar altas seqüências de luz mas vamos ficar no feijão com arroz. Eu tenho que chegar em torno 3 horas antes do show, ligar todas as luzes no quadro de luz, ver se a máquina de fumaça tá com o fluido, colocar os gels coloridos (com excessão dos canhões, todas as luzes são brancas e precisam de uma folha de um plástico especial em uma moldura para ter cor) de acordo com o estio da banda (hiphop pode ter amarelo, heavy metal vermelho, emo azul e por aí vai). Depois disso marca-se a mesa de luz com uma fita crepe para você saber exatamente onde está cada luz e pronto, é só esperar o Show começar.

Observando Fabian, reparei que na verdade a mesa de luz é quase uma bateria eletrônica, onde fica se apertando os botões das luzes mais ou menos no ritmo da bateria, alternando-se as luzes para criar um efeito legal com a fumaça.

Semana seguinte, minha vez. Foi tenso mas correu tudo bem. Dei sorte pois era um festival de bandas de rock australianas então eu entendia a letra, o que no meu caso facilita a vida pois gosto de uma luz mais teatral seguindo o clima do show em vez de esmurrar os botões para ter algo psicodélico. Acho que isso agradou ao René pois ele me chamou para outro show.

Aos poucos estou me acostumando com o trabalho e preparo as luzes em 15-20 minutos, ficando 3 horas esperando o show começar, dando tempo para escrever todos os textos que  tenho que fazer. O chato que tenho que ficar até que todos saiam pois eu tenho que, literalmente, apagar as luzes mas pelos €€€€ eu faço essa “consultoria”, já que não posso trabalhar aqui por causa do maldito visto. 🙂

Nem tudo são flores. Tem um cara que trabalha (que não vou citar o nome) que fede, mas fede horrores. Mas aquele CC que chega a incomodar. Isso eu nunca tinha visto um fedor que chega a doer. 🙂 E o pior que vou para lá depois da academia, de banho tomado e tudo mais. Resultado que tenho que ficar respirando pela boca em alguns show. C’est la vie.

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