post Category: Além dos Wienerschnitzels post Comments (1) postFebruary 23, 2009

Carro voou até o telhado de uma igrejaUma das coisas mais comentadas que estrangeiro curte na Alemanha, principalmente para os amantes da velocidade, é o fato que as estradas aqui não tem limite de velocidade. Bem, não é bem assim. Para início de conversa, a maioria das estradas tem sim um limite de velocidade. Alguns trechos, normalmente sempre retas, tem a velocidade máxima liberada mas existe uma sugestão, que normalmente é de 130 Km/h.

Uma conjunção de fatores permitem isso. Primeiro, obviamente é a qualidade da estrada. Já rodei por aqui por várias regiões (até mesmo na antiga Alemanha Oriental) e a qualidade das estradas é algo incrível! Não há um simples remendo sequer. Não sou engenheiro ou especialista mas poderia dizer que tudo começa pela qualidade do concreto/asfalto que é utilizado. Realmente o movimento de caminhões nas rodovias é bem menor mas eles estão ali e são em geral maiores que os nossos. Outro detalhe interessante é que não há um único pedágio em toda a Alemanha. Atualmente várias discussões estão sendo levantadas neste aspecto mas os alemães consideram suas rodovias um bem público que não pode ser taxado mais do que já se pede dos impostos sobre os carros.

O segundo ponto é exatamente esse; o carro. Se você acha a vistoria do DETRAN um saco, é porque não viu a vistoria alemã. Para se ter uma idéia, se o carro tiver um ponto de ferrugem em determinados lugares, ele não ganha o selo de aprovação. Com isso, não se vê carro caindo pelas tabelas pela rua. Claro que existe carros velhos mas mesmo os carros com mais de 10 anos, como o Golf que eu dirigi (com 15 anos) estão super bem-conservados. Junte à isso a qualidade dos carros germânicos e você entenderá que muitas vezes quando se dirige um Mercedes, BMW ou Porsche, chegar à 200km/h não parece um absurdo. Quando dirigindo o velho Golf, 120 Km/h era algo padrão, quase devagar demais para determinadas estradas. Cheguei à 160km/h em alguns trechos, o que já me fez suar frio já que não estava acostumado.

Aí entra o terceiro elemento; o motorista. Para se tirar a carteira de motorista alemã não é moleza. Estava conversando com uns amigos, você praticamente tem que dirigir sob diversas circunstâncias, como por exemplo fazer prática em estrada, de noite, piso molhado e por aí vai. É um processo tão complicado que teve gente que conheço preferiu tirar a carteira enquanto estava no intercâmbio nos Estados Unidos e validá-la aqui em Berlim que começar o processo todo aqui. Além da dificuldade em si, é um processo caro, na base dos 1000 euros o processo todo, entre custos de prova, aulas de auto-escola e etc. Junte à isso a tradição alemã de seguir regras à risca, você raramente verá um carro fechando o outro ou alguém buzinando. Para se ter uma idéia do cúmulo (pelo menos para nós brasileiros), aqui se dá seta se for mudar de faixa, andando em uma reta, na cidade, 2 da manhã, sem nenhum carro atrás. Não estou falando em fazer uma curva ou algo não, apenas mudar de faixa. Parece óbvio mas no Rio de Janeiro, raramente se vê. Avançar no amarelo aqui? Algo impossível. E não pense você que são apenas os motoristas.  Pode não vir carro algum, se o sinal estiver vermelho para os pedestres, ninguém atravessa, por mais deserta que a rua esteja. A tendência é sempre esperar o sinal verde para caminhar.

Lógico que acidentes acontecem, como este aí da foto acima onde um carro saiu da estrada e voou até o telhado de uma igreja. O engraçado é que quando ocorre acidentes assim, a primeira teoria que se vem à cabeça é falha mecânica ou algo assim, não que o motorista esteja alcoolizado ou algo parecido. Acidentes graves são tão raros que ouvi uma história que comoveu a Alemanha um tempo atrás. Uma família estava na estrada à uma velocidade normal (uns 100 km/h) quando um Audi veio à toda e colou na traseira do carro deles e começou a pressionar, jogando farol alto para que o carro abrisse caminho. A mulher que estava digirindo se assustou, deu um golpe de direção e acabou batendo na mureta de contenção e morreu com duas crianças dentro do carro. Foi uma verdadeira perseguição para descobrir quem foi essa pessoa que jogou o farol para passar. O irônico é que isso acontece à todo o momento em nossas estradas e consideramos normal jogar o farol para passar.

1 person has left a comment

#1

Pessoa, quando vier a Barcelona aperto o cinto! Aqui, o piloto sumiu!

Vitor Hugo Munaier wrote on February 28, 2009 - 8:58 pm
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