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	<title>Pessôa em Berlim &#187; Pessoas de Berlim</title>
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	<description>As aventuras de Erick Pessôa na capital alemã</description>
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		<title>A &#8220;simpatia&#8221; do serviço público alemão</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Mar 2009 17:26:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Erick Pessoa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pessoas de Berlim]]></category>
		<category><![CDATA[BVG]]></category>
		<category><![CDATA[Der Spiegel]]></category>
		<category><![CDATA[ônibus]]></category>
		<category><![CDATA[simpatia]]></category>

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Atenção, o que vou contar abaixo não é piada. Realmente aconteceu nessa última sexta-feira comigo e uns amigos que estávamos indo à um clube.
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<p>Atenção, o que vou contar abaixo não é piada. Realmente aconteceu nessa última sexta-feira comigo e uns amigos que estávamos indo à um clube.</p>
<p>Nesta última sexta me convenceram a um a um clube com uma galera do curso de alemão. Como não divido o apartamento com ninguém (é meu, todo meu! <img src='http://pessoaemberlim.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' />  ), combinei com o pessoal para se encontrar aqui em casa e daqui saírmos juntos, já que a minha casa era no meio do caminho.</p>
<p>Como um bom nerd, pesquisei o caminho todo no site da BVG, a empresa responsável pelo transporte público aqui de Berlim. Logicamente para &#8220;facilitar&#8221; as coisas, o clube ficava super contra-mão, aquele perto-longe. Tinha que pegar um trem até a próxima estação, então pegar um ônibus por mais 4 pontos. Até aí tranqüilo, sem problemas.</p>
<p>Todos prontos e preparados, partimos para o trem, que foi tranquilíssimo. Chegando na estação que começa o problema. Tinha ponto de ônibus dos dois lados e logicamente sem indicação qual delas seria a correta para nós. Precisávamos pegar o ônibus M27 na direção da estação de Pankow mas, logicamente o lado que escolhi, o ponto era exatamente para a outra direção, estação Jugenferheide, ou seja, a estação que eu estava. O que a lógica diz? Cruzar a estação para exatamente o outro lado e foi isso que fiz. Acontece que do outro lado, no ponto de ônibus, estava escrito a mesma coisa! Ponto para Jugenferheide! Olhando no mapa, vi que a rua que tínhamos que ir era mais perto de onde fomos primeiramente então lá fomos nós cruzando a estação. Por sorte, estava chegando o M27 quando chegamos no ponto. Qual é a surpresa quando vimos que estava escrito &#8230;. Jugenferheide! Meu Deus! Como pode? Bem, pedimos para uma das meninas do grupo, que fala um alemãozinho melhor, parar o ônibus e perguntar onde é o raio do ônibus. Vou ter que reproduzir o diálogo pois é algo surreal:</p>
<p>- Este é o ônibus que vai para Pankow?</p>
<p>- Não.</p>
<p>(o motorista não falou mais nada e já ia fechando a porta! )</p>
<p>- Onde seria então o ponto, por favor?</p>
<p>- Do outro lado da estação.</p>
<p>Vale dizer que o ônibus estava vazio e ele sequer olhou para a nossa cara. Éramos 3 pessoas, relativamente bem vestidos e estava escuro e meio deserto ali, mas tudo bem.</p>
<p>Fomos para o outro lado e qual é a surpresa quando naquele ponto onde também estava escrito Jugenferheide, chega o mesmo ônibus que nos deu a informação do outro lado? Bem, ficamos tranqüilos pois como ele mesmo disse, era ali que tínhamos que ficar. Achei estranho pois os pontos de ônibus todos tem escrito a direção em que o dito vai mas tudo bem, quem sou eu para discutir.</p>
<p>Agora começa o absurdo. O motorista parou o ônibus, desligou e apagou as luzes. Nós 3 ali do lado de fora, os mesmos 3 que ele não só viu do outro lado como chegou a nos dar a informação. Tudo bem que não estava congelante (4 graus) mas eram 10 da noite, tudo escuro e tinha uma menina, não custava deixar a gente entrar e sentar. Ele abriu a marmita, comeu tranquilamente um sanduíche, bebeu uma agüinha, ficou olhando para frente (não olhou para nós nenhuma vez).</p>
<p>Calma que ainda tem mais&#8230;.</p>
<p>Depois de 10 minutos, ele dá a partida do ônibus e acende a luz. Quando reparo que o ônibus dá uma levantada (aqui os amortecedores abaixam para o ônibus ficar da altura do meio-fio e assim facilitar o acesso), me deu um estalo; &#8220;esse cara vai sair sem a gente&#8221;. Só deu tempo de verbalizar para os meus amigos e não deu outra; o cara partiu!!!  Eu, por sorte, reparei que tinha um ponto de ônibus à uns 300 metros à frente e logo que vi ele saindo, corri na direção e falei para todos também entrarem no pique senão iríamos perder. Para nossa sorte, tinha acabado de chegar o trem e tinha mais umas 6-10 pessoas para embarcar. Só sei que se eu soubesse um pouco mais de alemão, o cara iria escutar muito! Eu estava roxo de raiva e só consegui falar bem alto e grosseiramente um VIELEN DANK (Muito Obrigado).</p>
<p>O inacreditável é que: 1 &#8211; ele SABIA que nós iríamos para Pankow. 2 &#8211; Estava claro que éramos turistas. 3 &#8211; O que custava ele deixar a gente entrar no ônibus enquanto ele estava no ponto final?</p>
<p>&#8212;-</p>
<p>Isto que narrei acima não foi um caso isolado, pelo contrário, ser bem atendido que é um uma raridade. O bom que a maioria das vezes tenho provas para isso. Uma vez em um restaurante com a minha amiga espanhola Yhazmina e quando estávamos para nos sentar em uma mesa, uma garçonete grita, literalmente grita: &#8220;NÃO SENTA AÍ!!! Será que não está vendo que está reservado?!?!&#8221; Vale dizer que não era uma lanchonete e sim um restaurante relativamente de nível em uma das zonas mais badaladas da cidade.</p>
<p>Outro caso foi com o meu ex-aluno Péricles, ajudando-o a comprar um bilhete de trem para Munique. Péricles pergunta qual seria o primeiro trem para Munique e o atendnete vira e diz : &#8220;1.23 AM&#8221; então Péricles vira e diz: &#8220;Ahh, e para depois das 6:00AM? &#8221; o cara responde: &#8220;Não foi isso que você perguntou anteriormente.&#8221; e pára. Pára! Não faz mais nada até que Péricles teve que se desculpar e pedir a informação de novo. Pode isso?</p>
<p>A minha singela opinião é que serviço direto assim é considerado uma função relativamente inferior, até pelos que a estão exercendo. Com isso ele já te atende com raiva, com certa mágoa. Qualquer coisa que você peça fora do padrão ou que exija algo a mais do atendente é quase um xingamento para eles. Sendo assim, venha para Berlim preparado psicologicamente para não ter a mesma atenção que estamos acostumados no Brasil na maioria das vezes.</p>
<p>[UPDATE] &#8211; Pelo visto não sou só eu que acho. Saiu um imenso artigo na <a href="http://www.spiegel.de/international/germany/0,1518,612447,00.html#ref=rss" target="_blank">Der Spiegel</a> online e em inglês sobre o investimento da prefeitura da cidade para ensinar os funcionários públicos a sorrirem. Já viu né?</div>
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