Nome complicados esses, não? Bem, um dos motivos de ter vindo aqui para a Alemanha passar 1 ano era exatamente conhecer o máximo possível deste país que é a 3a maior potência econômica (atrás dos EUA e do Japão). Volkstrott, a banda que sou meio roadie/groupie já que são de amigos meus, está gravando o segundo CD deles. Com isso, os instrumentos “clássicos” como o violino e a gaita-de-foles foram gravar em estúdio lá na Bavária, em uma cidade chamada Straubing. Para conter custo e ao mesmo tempo ser algo diferente para mim, chegaram a um consenso que seria interessante ficar em uma “pousada rural”, o que na verdade é uma casa de família em um vilarejo que os donos alugam o que seria o 2o andar. Me convidaram para ir (logicamente isso ajuda na hora de dividir os custos de gasolina e hospedagem) e eu só fiz uma exigência (chato eu, não?); que tivesse internet. Não é que encontraram uma que tinha?
Daqui de Berlim até a porta da casa que íamos ficar (que na verdade é em um lugar chamado Linderhof, menor ainda que uma vila) dava 5 horas e 40 de viagem. Saímos daqui por volta de umas 8:30 da noite no carro da Ina que é um Golf velhinho mas potente (1992). Como era tarde e a galera ainda iria ter que gravar no estúdio de manhã, me voluntariei para dirigir, até porque queria ter a experiência para dirigir na tão falada Autobahn (as estradas alemãs).
Para quem não sabe o motivo da fama, vou logo dizendo, é outro nível. Tudo bem que hoje aqui na Europa as estradas estão mais ou menos niveladas, todas em muito bom estado. Estive agora à pouco em Portugal e a estrada de Algarve para Porto é um passeio no parque, de ótima qualidade, cruzando o país inteiro. Acontece que as estradas alemãs foram feitos para os carros alemães e vocês sabem quais carros eu estou falando, não? BMW, Mercedes, Porsche e Audi. Quase nenhuma curva, asfalto maravilhoso e altamente sinalizada, sem contar que cruza o país inteiro em todas as direções.
Reza a lenda que aqui não tem limite de velocidade. Não é verdade, mas também não é mentira. Eles fazem o seguinte aqui; a maioria dos trechos onde pode-se haver um risco para alta velocidade (perto de cidades, poucas faixas de rolamento, pontes e etc) eles limitam a velocidade, entre 80 e 130 Km/h. Nos retões, eles sugerem 130 km/h. Isso mesmo, sugerem. Quer dizer que se você quiser, pode enfiar o pé na jaca. Oras, se vcoê tem um Audi TT, vai seguir essa sugestão? Claro que não né? Com isso, não é difícil ver alguém mandar 250 km/h e passar como uma flecha ao seu lado.
Eu sou bem comedido com carros, nunca fui de correr. Tomei umas multas de velocidade no Rio pois estava a 80 em lugares de 60 e etc mas nunca fui daqueles de testar limites do carro. É até engraçado isso mas uma vez viajando com a minha mãe por Portugal, de Lisboa para o Porto, estava à 130, velocidade limite de acordo com as placas, e simplesmente todos os carros me ultrapassavam. Por mim tudo bem, estava na faixa da direita, sem nenhum problema; até que um carro da polícia rodoviária passou ao meu lado e mandou eu acelerar, porque estava muito lento.
Aqui até por causa dos outros carros, você também vai na onda e cheguei a estar a 150 km/h, o que para mim é o meu recorde mundial. Não curti muito pois não sou cara de correr então fiquei com a adrenalina lá em cima, o que foi bom para me manter acordado. O bom é que os alemães dirigem excelentemente bem. Não vi nenhuma barbeiragem e simplesmente nenhum acidente em todas as vezes que estive aqui. (Mais sobre isso na página sobre curiosidades da Alemanha em breve aqui).
O hotel em si é ótimo! Era um apartamento todo montadinho! 3 quartos, banheiro, sala/cozinha e varanda. No meio do nada. Me senti no meio do filme Noviça Rebelde. E não é que tinha realmente WiFi? Muito bom!
No dia seguinte, fomos à Straubing. Enquanto eles gravavam fui dar um passeio pela cidade. Não é grande como Munique, claro mas também não é pequeno. Achei legal pois fica às margens da parte alemã do mítico rio Danúbio, que de azul não tem nada. Inclusive, estava em uma época de seca e ele estava bem rasinho, como vocês podem ver pelas fotos aqui no blog. De ponto alto da cidade é praça proncipal Ludwigsplatz, onde tem uma torre municipal medieval e a igreja que nem consegui entrar pois estava sempre fechada quando passava por lá.
Mesmo sendo do interior da Bavária, Straubing é a grande detentora do que eles fazem questão de afirmar à todo momento; o 2o maior festival folclórico da Bavária depois da Oktoberfest. Para a minha sorte, ele iria começar exatamente este fim-de-semana que estava ali. Tinha posters pela cidade inteira sobre o tal do festival com nome complicado (Gäubodenvolksfest) e o mais interessante foi ver que praticamente todas as lojas de roupas vendiam os trajes típicos bávaros, para os homens o lederhose, que é uma bermuda de couro/camurça com suspensórios e uma camisa de flanela quadriculada vermelha e branco ou azul e branco. Para as mulheres, o dirdnl é um vestido estilo ao típico português que estamos mais acostumados; saia longa, com avental, decote quadrado com detalhes bordados. O mais interessante são as variações femininas deste vestido, tem até mini-dirdnl! (tirei até foto). Para se ter uma idéia do que estou falando, até a C&A do centro da cidade tinha uma seção só para vender essas roupas e era o que dominava a vitrine. Aqui está um site que mostra um pouco mais desta moda folclórica (tem uns vestidinhos que são até bem sexy, tenho que dizer).
O festival em si é meio pitoresco. É uma parada com vários … grupos da cidade. Grupos no sentido; escola de dança, jardim-de-infância, clube dos motoqueiros, cervejaria tal e etc. Desfilam em um estilo meio militar, com roupas típicas e jogando balas para tudo quando é lado. Nada comparado com nossas tradicionais festas folclóricas, como o São João.
Depois da tal parada, que dura algo em torno de 1 hora e pouco, todos vão para o “parque”. Seria uma grande quermesse mas de alto nível. É enorme! Para se ter uma idéia, levei 2 horas andando devagar (sem parar) para ver tudo que tinha. E tem de tudo, desde brincadeiras, até tiergartens (restaurantes com mesas coletivas para se encher a cara de cerveja e comer comida gordurosa alemã e ficar cantando). Os brinquedos estilo parque de dirversões são altíssimo nível, melhor que os do Terra Encatada do Rio, tenho que dizer. Tinha até um Kabum, para se ter idéia. Fiquei abismado como estava cheio de gente e o mais interessante, a grande maioria trajando as roupas típicas! Mesmo estando bem “patriótico” com a minha camisa da Alemanha, estava claro que eu era turista. Talvez por ser o 2o maior festival da região (todas as pessoas me falavam isso quando engajava em uma conversa) tinha poucos turistas, a maioria era alemã mesmo e por isso meio que se assustavam quando filmava e tirava fotos. Não deve ter muito brasileiro por aqui.
Os tiergartens chegam a ser assutadores. Centenas de pessoas cantando músicas de bebedeira, com canecos de 1 litro de cerveja, subindo na mesa e etc. Já tive um gostinho do que vai ser o Oktoberfest. Se eu quiser uma mesa, vou ter que começar a beber às 10 da matina.
A comida foi um ponto alto do festival. Eles servem de tudo. Ganhei de uma menina (sabe como é, esse sorriso aqui….)
um coração de pão-de-ló (eu acho) coberto com chocolate que tem que se ficar andando com ele no pescoço. Experimentei também uma salsicha de carne de cavalo, que tem um gosto pitoresco mas me deixou meio com peso na consciência pois me lembrei da Tiffany, Chuí e Gandola, cavalos que tivemos/montávamos. Tinha também peixe inteiro na brasa mas o que mais gostei foram as castanhas caramelizadas, que já sou fã desde o Brasil.
É bem legal o festival, curti muito. Agora estou louco para ir no Oktoberfest. Tenho que garantir logo o meu Lederhosen mas acho que devo alugar um por lá já que comprar custa 200 euros e não vou pagar isso para 1 dia só.
INFO:
- De Berlim até Straubing foram 550 kms.
- A gasolina aqui custa em média €1.45 por litro